Na Galeria Vieira Portuense de 8 de Junho a 6 de Julho de 2019. Inauguração pelas 16horas do dia 8 de Junho
quarta-feira, 29 de maio de 2019
sábado, 25 de maio de 2019
A Cor que desenha o feminino
A cor que desenha o feminino
A imagem não é a descrição de uma paisagem, nem de um rosto, nem de uma flor. Porque ela não se reduz à reprodução de uma realidade verosímil. Neste sentido, as imagens expostas nesta mostra expressam desejos latentes que procuram, através da transcendência, o recalcamento de certos traumas quotidianos. E, neste caso, os traumas no feminino. De facto, apesar destas aguarelas descreverem a beleza exterior da mulher /flor, o olhar indeciso e o sorriso pálido dissimulam alguma preocupação. As cores garridas, mas baças, deixam-nos percecionar o sabor de uma certa amargura.
Se estivermos bem atentos notamos que, estes quadros de Anabela Mendes, mais do que descritivos, são narrativas que transpõem a realidade nua e crua, para dar lugar aos sentimentos. Narrativas que nos fazem refletir sobre a substância humana. São sonhos sonhados que se transformam em devaneios existenciais. Por isso mesmo as mãos do pintor (da pintora) sonham. E o que sonham elas? A libertação do jugo masculino, que persiste na menina dos olhos bem abertos e contudo cegos de tanta displicência consentida. Na verdade, o que Anabela nos apresenta é o rosto da flor a par do rosto da mulher ou da donzela. E em cada flor há um olhar feminino que nos interpela e nos incomoda atirando-nos à cara a nossa indiferença conivente e secular.
Aqui e ali, o olhar das meninas e das flores deixa de ser sensual para ser sensorial. E então os nossos dedos afloram o veludo quente das cores, os nossos ouvidos ouvem o pestanejar das pálpebras, e das borboletas que pousam sobe o pistilo da flor, e o nosso coração perscruta os movimentos ousados dos lábios.
Tudo isto com os olhos nos olhos ou com os olhos nas pétalas.
Na convergência da flor e da mulher, eis a casa, lugar de acolhimento, de tranquilidade, de harmonia e de fecundidade. Útero por excelência da família e do lar onde os afetos vivem em plena liberdade. A casa é tanto o gineceu da flor, como o da mulher. O seu interior é protetor e o seu jardim o lugar da beleza e da cor.
Em suma, a cor que desenha o feminino não é mesma cor que o feminino desenha.
A cor que desenha o feminino é de um tom azul-esverdeado, portador de uma serenidade aparente, que se prolonga até ao infinito. Mas a cor que o feminino desenha é de um tom baço e inquietante onde o amarelo doentio se junta ao azul pardo para fazer vibrar os corações humanos mais masculinos do que femininos.
António Oliveira
sexta-feira, 24 de maio de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
quarta-feira, 15 de maio de 2019
sexta-feira, 10 de maio de 2019
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Encontro de Arte
3º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ARTE
Galeria Vieira Portuense - 2013
http://encontrointernacionaldearte3.blogspot.com/
"Estado de Graça"/ Acrílico s/ tela/ 70x50x2cm
Anabela Mendes da Silva
Nasceu em Angola, onde concluiu o curso de Educadora de Infância no Instituto de Educação e Serviço Social Pio XII em 1974.
Já em Portugal, mais concretamente na cidade do Porto, iniciou a sua atividade profissional de Educadora de Infância em 1976.
De forma a enriquecer e a complementar a sua atividade profissional, frequentou o curso de Animação Sociocultural no Instituto Jean Piaget em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, tendo concluído a respetiva licenciatura em 2008.
Autodidata por natureza, após ter deixado a sua atividade profissional, quis fazer algo que possibilitasse a partilha com o Humano. Descobriu esse “algo” na pintura.
Como membro da Galeria Aberta – Associação de Apoio aos Artistas, da ACLAL – Academia de Letras e Artes Lusófonas, da ARGO – Associação Artística de Gondomar e da AAAGP – Associação Amizade das Artes Galego-Portuguesas, realizou diversas obras, onde introduziu uma mensagem que pudesse ser universalmente compreendida. Pintar, passou a ser uma lufada de energia positiva, uma entrega total, em que a inspiração proporcionasse uma paz de espírito doce e relaxante.
Como monitora de pintura, em 2010 participou no 2º Campus Artístico, evento organizado pela APPC – Associação do Porto de Paralisia Cerebral.
Desde 2007 até à atualidade, realizou diversas exposições de caráter individual e coletivo, onde teve o privilégio de partilhar obras da sua autoria que se encontram espalhadas um pouco por todo o país e também no estrangeiro, nomeadamente no Brasil, França e Noruega.
Neste contexto, Anabela Mendes da Silva realiza mais uma exposição de “partilha com o Humano”, com a apresentação de diversas obras, esperando merecer a atenção de todos quantos a visitarem…
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